Analise do filme: “Entre os muros da escola”

(Um filme de Laurent Cantet)

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O filme “entre os muros da escola” mostra situações cotidianas a professores e alunos no decorrer de um ano letivo.

Algumas cenas se destacam. Em uma dessas, o professor de Frances pede aos alunos que leiam um trecho de um livro, onde a personagem Anne, fala sobre sua vida. Após a leitura, o professor diz aos alunos que escrevam um autorretrato, assim como o de Anne. Mas a turma indaga não ser possível escrever de forma tão apaixonada, já que suas vidas se resumem a ir para a escola, pra casa, comer e dormir. Dizem ainda, que se tivessem 70 anos, teriam muitas experiências para contar, mas, com 13 anos ainda não.

Nesse momento, o professor, um dos poucos com bom domínio de sala, leva os alunos a refletir sobre o dia-a-dia de cada um. Usando um dialogo quase socrático, busca mostrar aos alunos as emoções contidas em suas experiências cotidianas, seja pela vergonha de aceitar o convite para jantar da mãe de um amigo, seja pela vergonha da própria aparência, que leva uma das alunas a esconder as orelhas sob o cabelo.

Em outra cena, uma reunião de professores com o diretor, discute-se um sistema de penalização por pontos, onde os alunos teriam uma quantidade inicial de pontos e os perderiam na medida em que infringissem regras da escola. Alguém sugere que esse sistema não valoriza os alunos e que aqueles que merecessem deveriam ganhar pontos. Em meio as discussões as opiniões são diversas e, por vezes, opostas.  Os professores não conseguem chegar a um acordo e, para não estender a discussão (que não foi resolvida), o diretor diz o seguinte: “Poderíamos ficar aqui até meia-noite, mas isso não é possível. Temos outros temas para abordar. Nomeadamente, uma questão essencial, e muito delicada: a máquina de café…”.

Quando se pensa em uma reunião de professores, e em assuntos “essenciais e muito delicados”, espera-se que sejam relacionados aos alunos e ao sistema educacional. Mas, não. O assunto era “a máquina de café”. Parece absurdo, cena de filme, mas é realmente isso que acontece em muitas reuniões de “professores de verdade”.

Apesar de ser Francês e parecer bastante distante, a verdade é que esse filme ilustra muito bem a realidade das nossas salas de aula. Talvez por mostrar a adolescência, que é um fenômeno global, mas, de qualquer forma, essa identificação possibilita uma reflexão sobre o que acontece entre os muros de nossas escolas.

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Devaneio

Já se sentiu como se estivesse rompendo a casca do ovo? A luz te ofuscando e você se encolhendo. Mil coisas na sua cabeça.

O tempo passou e o que você fez?

Por um momento você se perde em meio a tantos pensamentos. E parece estar se afogando, se sufocando.

Aí você respira fundo, abre os olhos, olha pro céu e sente o vento. Ele sopra suave, mas é como se soprasse sobre suas ideias, levando seus pensamentos.

E você volta a ver o mundo.

Nota sobre a imagem: Trata-se da escultura "O Pensador" de Rodin (1882).
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Da Arte Moderna para a Arte Contemporânea

Foram muitas as mudanças dos paradigmas na passagem do moderno para o contemporâneo, e o Connaisser, “conhecedor”, especialista em determinado tipo de arte, já não podia mais fazer sua leitura da mesma forma. É nesse sentido que Cristina Freire fala de “afasias” em seu texto. Como se, diante das obras contemporâneas, os críticos ficassem “sem palavras”.

Mas as principais diferenças entre modernos e contemporâneos parecem surgir com base na afirmação do Dadaísta Marcel Duchamp, ao dizer que qualquer coisa pode ser objeto de arte, qualquer um pode ser artista e, não há uma maneira correta de se relacionar com a obra de arte. (FREIRE 2005, p. 65).

Assim, pode-se definir a arte contemporânea como a detentora dos trabalhos efêmeros, interativos, etc., que rompem com os valores modernos de objetividade do material, ou com a necessidade de um objeto final. Há uma desmaterialização da obra de arte, e a figura do artista, gênio criador, é questionada. Além disso, as linguagens já existentes se misturam na arte contemporânea e surgem novas, como instalação, performances, ações, etc. Arte e Vida se misturam a todo instante.

FREIRE, Cristina. Afasias na Crítica de Arte Contemporânea. In GONÇALVES, L. R. FABRIS, A. Os lugares da crítica da arte. ABCA: Imprensa Oficial do Estado. São Paulo 2005

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Anina

longa_aninaUma ótima dica pra quem gosta de filmes que possibilitam uma reflexão sobre o sistema educacional é o longa Anina, do uruguaio Alfredo Soderguit.

“A animação ganhou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor na sessão Colômbia 100% do Festival de Cine de Cartagena de Indias, além de ter sido o filme infantil vencedor do Anima Mundi 2013. Baseado no romance Anina Yatay Salas, de Sergio López Suárez, traz a história da menina Anina”. (http://diariocatarinense.clicrbs.com.br)

A menina de 10 anos de idade, acaba brigando com a colega de classe, Yisel. O castigo é dado pela diretora: um misterioso envelope lacrado para cada uma das meninas. Tal envelope, não deveria ser aberto até o próximo encontro com a diretora.

Vale a pena ver o filme e fazer uma reflexão sobre os castigos sugeridos as nossas crianças. Será que eles acrescentam alguma coisa no desenvolvimento moral ou emocional de nossos alunos? Ou apenas tiram? A diretora com cara de má, mostrou como se dá um castigo de verdade.

Além disso, Anina, nome de ida e volta, é um ótimo filme pra toda família.

Link para Anina completo:Anina

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Galeria Ido Finotti: Fotografias de João Virmondes

Em exposição na galeria do centro administrativo da cidade de Uberlândia, as fotos panorâmicas de João Virmondes retratam casas que parecem abandonadas. Algumas já sem parte do teto. As grandes fotografias dispostas nas paredes da galeria confundem o olhar a primeira vista, em função do recorte incomum dado pela foto panorâmica.

Uma das imagens que mais chama a atenção mostra o céu bem azul que surge entre as vigas do que sobrou do teto, já sem telhas. É como se as vigas de madeira transpassassem o céu.

A montagem também merece comentários, já que, a primeira fotografia mostra uma porta com a seguinte inscrição: “Seja gentil Não entre”. Ao se deparar com essa mensagem o espectador pode se perguntar o que o artista quis dizer com essa mensagem? Seria uma provocação? Um “não ente” na galeria. Não veja meu trabalho. Não me veja.

Pesquisando sobre João Virmondes, encontrei alguns comentários do próprio artista sobre essas fotos, logo depois de saber que elas são o resultado de seu projeto de mestrado em artes pela Universidade Federal de Uberlândia, mesma instituição onde cursou graduação em educação artística. E que o nome da exposição, que não foi mencionado nem mesmo no folder, é “Lugares da Impermanência”.

“O ritmo das pessoas na cidade faz com que esta seja percebida apenas na superficialidade de suas fachadas e de seus letreiros. Entretanto, quando me deparo com uma casa em demolição ou mesmo com uma já demolida, minha percepção e apreensão desse espaço são dilatadas”, afirma Virmondes para o jornal do correio publicado em 31 de julho de 2014.

Mas a afirmação do artista que mais chama a atenção é a que diz sobre a possibilidade de olhar para seu trabalho depois de pronto e montado ali: “Agora que volto o olhar para as fotos tomadas, eu as vejo como restos de minhas operações e da minha passagem por aqueles espaços, retomando alguns de meus devaneios sobre o tempo e o espaço”.

A exposição fica aberta até 1 de setembro, de segunda a sexta das 11h30 às 17h30 e, vale a pena conferir!

 

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Projeto Plante na Praça

Localizada no bairro Santa Mônica, a algumas quadras da Universidade Federal de Uberlândia, existe uma linda praça. Lá, os alunos da disciplina de PIPE I do Curso de Artes Visuais sentaram-se a sombra de uma árvore, onde há uma placa com a frase “que tal um piquenique aqui?”, para uma conversa com Andressa Boel, convidada para falar um pouco sobre seu projeto, que transformou um terreno baldio num local agradável, a tal praça.

Andressa Boel é graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia e, atualmente, faz mestrado na mesma instituição. Na conversa com o professor e com os alunos de PIPE I, Andressa contou que durante a graduação teve a oportunidade de participar de projetos de Iniciação Cientifica, que buscaram analisar trabalhos de intervenção urbana propostos na cidade de Uberlândia.  Uma dessas propostas aconteceu na Praça Tubal Vilela, e foi aí que Andressa começou seu contato com a praça enquanto local de atuação/intervenção do artista contemporâneo.

Para transformar o terreno baldio em praça, Andressa começou plantando alguns canteiros de girassóis. Vendo-a plantar, outras pessoas se sentiram interessadas pelo trabalho e quiseram plantar outros canteiros. Na conversa, a artista explicou que seu trabalho refere-se a uma estética relacional, que não cria objetos e resultados, e sim, relações entre pessoas. “O trabalho não é o canteiro, é a troca que ele proporciona”, disse ela.

Caminhando pela praça, percebe-se varias “plaquinhas” com inscrições como “Este canteiro de girassol precisa de água. Os outros também!”; “Canteiro-horta plantado por Baltasar. Para a colheita ser farta, ajude a regar.”; ”Canteiro de anis, pela flor Rosana.”; “Tire seus sapatos e pise na grama, sinta o frescor.”; “Plantada com carinho para Rafaela”; “Canteiro Livre!”; dentre muitas outras. Segundo Andressa, os nomes nas placas são de pessoas que ajudaram a plantar o canteiro, e vendo isso, outras pessoas são motivadas a participar também.

Assim, o sentimento que fica depois dessa visita, é um desejo de participar, voltar à praça e adorar um canteiro.

Praça Said Chacur. Foto de João Paulo de Freitas

Praça Said Chacur. Foto de João Paulo de Freitas

Quem se gostou da ideia pode obter mais informações na página: Plante Plante

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Um Bloco da UFU

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Se você pertence ou pertenceu à comunidade universitária como Estudante, Pessoal Docente ou Pesquisador, Pessoal de Administração e Serviços… neste concurso você tem a oportunidade de ganhar 3.000 Euros inscrevendo uma fotografia que para você represente a sua ida universitária. Para participar você só precisa registrar-se na Universia (você pode clicar diretamente aqui) e carregar todas as fotografias que quiser. Elas devem refletir o que a Universidade significa para você.

Eu já mandei a minha foto

© Letícia Aparecida Oliveira

Perspectivas. Um bloco qualquer na faculdade. Fotografia Analógica. © Letícia Aparecida Oliveira

Um Bloco da UFU.

Acesse link e vote!

 

Obrigada!

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Filme Lances Inoscentes

Analise do Filme “Lances Inocentes” sobre o olhar da Psicopedagogia

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Josh é um menino norte-americano de sete anos de idade que aprende a jogar xadrez observando um grupo de moradores de rua em uma Praça de Nova Iorque, local em que se revela seu interesse e habilidade, sua mãe o observa com atenção, curiosidade e amor e pede ao pai que jogue com o menino. O pai um cronista esportivo mostra-se inicialmente distante do filho, entretanto passa a dedicar ao recém-descoberto aprendizado do garoto após o mesmo vence-lo seguidas vezes. Resolve contratar o melhor professor para lhe ensinar a técnica do jogo e começa a inscrevê-lo em campeonatos, nos quais é tido como uma revelação. O sucesso ameaça torna-se obsessivo e o garoto demonstra o desejo de treinar com o pessoal da praça, mas o pai o impede. Após uma derrota em uma partida, pai e filho tem uma rara oportunidade de reavaliar sua relação. O menino expressa seus sentimentos em relação ao distanciamento afetivo e este retoma suas ideias e posturas e passa a acompanhar seu treinamento na praça. O que se sucede são conquistas de prêmios que o projetam no mundo do xadrez.

Josh revela facilidade de aprendizagem, raciocínio e memória; passa a perceber as jogadas com interesse e demonstra excelente capacidade de atenção e concentração, bem como para examinar e armazenar as informações recebidas, associar e fazer combinações utilizando princípios de análise e síntese visual e viso motora com êxito, coragem, ousadia e criatividade. Quando necessário age com ponderação, programa e verifica suas ações, reformula mentalmente e refaz os lances para obter melhores resultados, pois a atividade de jogar xadrez exige a criação de intenções, planos e estratégias.

A mãe de Josh buscava o garoto na escola e na volta pra casa ele pede para ir ao Parque “ver os homens jogarem”. A mãe estranha o pedido perguntando “que homens?”. Mas, consente e leva-o ao local. Em outro dia, passando pelo mesmo parque, veem um homem sentando em uma mesa com um tabuleiro de xadrez e uma placa que diz: “jogo ou foto… 5 dólares”. E a mãe propõe que o garoto jogue uma partida. Ele perde, mesmo assim a mãe fica surpresa por ver que o filho de sete anos, conhece as regras desse jogo, sem ninguém ter ensinado. Conta, então, ao pai do menino que a princípio não acredita, mas depois fica igualmente surpreso.

Josh parece ter grande capacidade intelectual Geral: caracterizada por “rapidez de pensamento, compreensão e memoria elevadas, capacidade de pensamento abstrato, curiosidade intelectual, poder excepcional de observação” (Virgolim 2007, p. 28). No caso específico de Josh, pode-se observar, “facilidade de aprendizagem, raciocínio e memória; passa a perceber as jogadas com interesse e demonstra excelente capacidade de atenção e concentração, bem como para examinar e armazenar as informações recebidas, associar e fazer combinações utilizando princípios de análise e síntese visual e viso motora com êxito, coragem, ousadia e criatividade. Quando necessário age com ponderação, programa e verifica suas ações, reformula mentalmente e refaz os lances para obter melhores resultados, pois a atividade de jogar xadrez exige a criação de intenções, planos e estratégias.”

Após perceber a facilidade com que Josh jogava xadrez, seus pais decidiram contratar p melhor professor para que o menino pudesse desenvolver suas habilidades. Além disso, os pais representados nesse filme são o ideal descrito por Virgolim (2007, p. 16) acreditavam na importância do trabalho árduo e ativo, com ênfase na autodisciplina e em dar o melhor de si para se alcançar o objetivo proposto; demonstravam estar orgulhosos das habilidades do filho e de suas realizações, inclusive mostrando interesses similares aos deles, ajudando-os a organizar o tempo, a estabelecer prioridades e a manter altos padrões para que a tarefa fosse completada. Ou seja, combinam apoio e altas expectativas, encorajam a criança, providenciam oportunidades e recursos, no caso do filme, além de contratar um professor de xadrez particular, incentivam o filho a participar de competições onde esse talento é muito valorizado.

Muitas vezes os profissionais da escola regular não estão preparados para receber alunos como Josh. São varias as situações que podem ocorrer. Às vezes, aluno aprende com tamanha facilidade/velocidade que acha a aula monótona e desinteressante. Se a professora não está preparada para lidar com esse aluno, talvez seus níveis de afinidade não sejam compatíveis, o que interfere na relação e consequentemente na dinâmica da sala de aula. Quando a alta habilidade já foi diagnosticada, o professor pode se sentir despreparado ou incapaz se não conhece as reais necessidades de um aluno com superdotação, pode pensar que somente alguém com o mesmo nível intelectual, têm capacidade de ensinar-lhe algo, ou pior, pode pensar que já que ele é tão inteligente, não precisa de sua atenção. Mas essas são só alguns dos problemas que podem ocorrer quando se tem uma equipe escolar despreparada para receber esse aluno.

Josh teve a sorte de estar em um ambiente propício ao desenvolvimento de suas potencialidades, seu pai, comentarista esportivo, logo que percebeu o talento do filho para o Xadrez contratou um professor particular para ensinar a técnica ao garoto. O que é favorável no caso de Josh é que os adultos a seu redor tem um olhar diferenciado, que busca conhecer suas necessidades e buscar meios para satisfazê-las.

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Bolo Nega Maluca com recheio Creme de Manjar e cobertura de Suspiro

No Carnaval… um bolo que combina…

Um blog que fala de cotidiano precisa de uma receita de bolo… então vamos lá…

 

Bolo Nega Maluca com recheio Creme de Manjar e cobertura de Suspiro

O Bolo

Misture na batedeira: 2 copos de farinha de trigo, 1 copo de chocolate em pó, 1 copo de óleo, 1 copo de açúcar derretido em 1 copo de água fervente, 3 gemas, 2 colher (sopa) de fermento em pó e 3 claras em neve. Asse em forno médio.

O Creme de Manjar (recheio)

Bata no liquidificador 500 ml de leite integral, 1 gema, 2 colheres (sopa) açúcar, 2 colheres (sopa) bem cheia de amido de milho, 1 colher (sopa) de chocolate em pó, gotas de essência de baunilha e coco ralado a gosto. Coloque em uma panela e misture com fogo alto ate ferver, abaixe o fogo e misture mais um pouco.

Suspiro (cobertura)

Bata 3 claras em neve, ferva 1 copo de água com 3 copos de açúcar refinado até dar um ponto de puxa dura. despeje a água com açúcar sobre as claras em neve delicadamente, sem desligar a batedeira, acrescente 2 colheres  (sopa) de suco de limão e continue batendo até dar endurecer um pouco. Coloquem em um saco de confeiteiro e divirta-se!

Bolo de chocolate com recheio creme de manjar

 

 

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Cristian Boltanski: Menschlich (1994) e O inapresentável na fotografia

O Que Diferencia o Fotógrafo do Artista?

Segundo o Rouillé (2009, p. 369), o fotógrafo tenta reproduzir formas, o fotografo-artista procura inventar novidades, enquanto o artista usa a fotografia para captar forças, e é nessa tentativa, que a arte foge do realismo ilusório de captar e comunicar uma suposta realidade.

Cristian Boltanski usa esse inapresentável em suas obras. Ele apropria-se de objetos e imagens para montar exposições grandiosas que provocam verdadeira nostalgia, levando o espectador ao contato com algo que não se pode ver, mas que é possível de sentir, pensar, imaginar. Exemplo disso é a exposição Menchlich (Humano, 1994) no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, em uma sala com pouca iluminação, o empregando da penumbra ou de lamparinas de fraca intensidade, criam uma atmosfera propícia ao recolhimento. Nesse local é montado um imenso memorial com mais de 1500 fotos de pessoas anônimas, provavelmente já falecidas.

Exposição Menschlich (Humano), 1994. De Cristian Boltanski

Exposição Menschlich (Humano), 1994.
De Cristian Boltanski

Por mais que não se reconheça um único rosto no memorial de Boltanski, é possível que, estando diante dessa obra, sentimentos e memórias sejam evocados. Assim, a fotografia é usada, mais uma vez, para falar de algo que não se pode ver ou tocar, algo invisível que de alguma forma se faz presente, mesmo que seja em sua ausência.

Letíciaa Oliveira


Referência: ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. Tradução Constancia Egrejas. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009.
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