SOBRE O MODELO DE MENTE PROPOSTO POR BION ¹

¹Trabalho apresentado como requisito para aprovação no módulo “Bion, conceitos fundamentais” do curso de especialização em Psicanálise da Faculdade Pitágoras. de Uberlândia, 2018.

O psicanalista inglês, Wilfred Ruprecht Bion (Mathura, 1897 — Oxford, 1979) apresenta uma produção inovadora que revela seus sólidos conhecimentos científicos em diversas áreas. Propõe, também, uma expansão sensível para o momento do encontro psicanalítico, revelando a vivacidade envolvida nos fatos, com o objetivo de apreender a realidade o quanto possível. (ANDRIATTE)

WRBion

  1. Introdução

Dias e Vivian (2011) em um estudo sobre a teoria de Bion afirmam que “para pensar não basta querer, é preciso aprender a pensar a partir das experiências”, mas para isso é preciso estar disposto a viver o que elas chamam de “o inesperado, a surpresa do estranho, do novo, do desconhecido”.

De certa forma, a teoria de Bion se torna esse novo, desconhecido, que faz com que seja necessário colocar a mente em funcionamento através da experiência de leitura e também das aulas sobre o autor.

O presente trabalho, resultado dessa experiência de abstrair e desenvolver conceitos, tenta apresentar o modelo de mente criado por Bion e sua aplicação no trabalho da clínica com os pacientes.

  1. O modelo de mente proposto por Bion

Para compreender melhor a mente, ou seja, o “aparelho para pensar”, Bion utiliza modelos matemáticos, biológicos e místicos, dentre outros, através de histórias, metáforas, equações, etc. (ZIMERMAN, 2004, p.49)

Bion ( defende que a pessoa nasce com uma “proto-mente”. Através das relações, o inconsciente é fundado e a mente se desenvolve. Sendo que esta, se divide em duas zonas: “mentalizada” (parte não psicótica da personalidade) e “não mentalizada” (parte psicótica da personalidade).

A parte não psicótica da personalidade se assemelha ao que já havia sido descrito por Freud e Klein em seus modelos de mente. Considera-se a existência de divisões dessa parte da mente: consciente, pré-consciente e inconsciente (separados pelas barreiras que atuam na censura e no recalque), além disso, é representado o id com atuação inconsciente e do ego e do superego interagindo nas três instâncias.

Na parte psicótica da personalidade, ou parte não mentalizada, destacam-se os elementos𝛽 emoções brutas causadas pelo contato com a realidade sensorial não elaborada. Esses elementos podem ser apresentados em forma de acting outs, evacuações, linguagem verbal e não verbal, identificações projetivas, etc. A grande questão que se faz nesse momento, refere-se a transformação dos elementos𝛽.

Observou que os elementos𝛽 podem ser transformados através relações, para que a realidade sensorial encontre um representante na realidade psíquica. Mas, isso só ocorre nas relações, seja com o bebê e mãe, seja com o paciente e terapeuta.

  1. Utilidade do modelo de mente proposto por Bion para a clínica psicanalítica

Todos os analistas que seguiram a mudança proposta por Bion, adotaram a complexidade de uma direção não determinada, não hermenêutica, não linear, espectral que gerou uma ampliação dos princípios específicos do trabalho analítico. Isso se deu a partir do uso da capacidade negativa, ou a suspensão da memória, do desejo e da necessidade de compreensão, que os fez escutar e falar com seus pacientes de forma diferente. (DIAS E VIVIAN, 2011)

Conforme mencionado nas aulas do curso de especialização em psicanálise, para que a mãe ou o terapeuta possam auxiliar nessa transformação de elementos𝛽, são é necessário que alguns fatores da personalidade estejam presentes. São esses: rêverie, compaixão, nomeação, capacidade negativa, at-one-ment, being, etc. Assim, através da funçãoα os elementos brutos podem ser simbolizados.

Outro fator que pode ser citado como grande contribuição de Bion para a Clínica Psicanalítica é a extraordinária comunicação que ocorre através da identificação projetiva. O psicoterapeuta que tenta entender o que sente durante os atendimentos, visando conter as emoções brutas tornando-as algo nomeável, presta um grande serviço ao seu paciente.

No mais, estar ciente dos processos mentais que ocorrem durante um atendimento, fortalecer os fatores da personalidade que contribuem para a função de psicoterapeuta, torna os atendimentos mais significativos, pois coisas que antes aconteciam e passavam até mesmo despercebido, podem agora ser usadas de forma muito benéfica.

  1. Referências

ANDRIATTE, Aparecida Malandrin. Biografias,  resenha, Wilfred Ruprecht Bion. Disponível em https://www.febrapsi.org/publicacoes/biografias/wilfred-ruprecht-bion/.

BION, W. R.(1967). Estudos psicanalíticos revisados. Tradução: Wellington M. de Melo Dantas. 3 ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994.

DIAS, Vera Lucia Linhares; VIVIAN, Aline Groff. Bion e uma mudança de paradigma na psicanálise. Aletheia,  Canoas , n. 35-36, p. 206-210, dez.  2011. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942011000200017&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  13 set. 2018.

ZIMERMAN, D. Bion, da teoria à prática. Uma leitura didática. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004

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Sobre umapsicologa

Graduada em Psicologia (2011), é especialista em Psicopedagogia (2013). Trabalhou como educadora infantil e cursou varias disciplinas de licenciatura em Artes Visuais. Atualmente, trabalha como Psicóloga Social e estuda Psicanálise.
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