Uma reflexão sobre antropologia e as relações entre os diferentes povos.

O texto de Laplantine (2000, p.37) faz referência ao que seriam os primórdios da antropologia, no contexto das narrativas sobre as navegações que geraram a “descoberta” do Novo Mundo ( séculos XV e XVI), cita a chamada “literatura de viagem” e os relatos dos missionários, além de fazer considerações sobre as relações entre os diferentes povos.
Nesse momento de extrema alteridade, onde estranhos se olharam sem se identificar, teria surgido uma dúvida: “será que são humanos?”
Para sanar essa dúvida os nativos, supostamente, amarravam pedras nos corpos dos navegantes recém chegados em baixo das água, afim de verificar se os corpos desses estranhos iriam apodrecer. Assim, a verificação passava pela via do corpo, enquanto que os espanhóis utilizavam outros critérios (LAPLANTINE, 2000, p.40 apud Lévi-Strauss  1961).
A religiosidade influenciou nos critérios adotados pelos europeus. Era preciso saber se aqueles povos tinham alma. Além disso, a linguagem, vestimentas e hábitos alimentares também foram observados. Mas, aquele parecia, na visão de alguns, um povo “sem roupa, sem rei, sem lei, sem arte…”.
Duas ideologias eram concorrentes. Haviam aqueles que demostravam fascinação por esses estranhos, Sepúlveda, e outros que repudiavam as diferenças, Las Casas. (LAPLANTINE, 2000, p.40).
Pensando sobre essas ideologias, faz-se necessário observar o que permanece ainda hoje. Como o diferente é tratado? Com fascínio ou recusa? Vemos exemplos diretos sobre este tipo de relação no cinema, como no filme ” O Regresso” ( o qual será analisado em uma outra postagem), mas existem exemplos mais sutis, nas relações do dia a dia, quando o diferente é tratado com repúdio ou como atração, com risos e piadas.
Uma cronologia comparativa se faz necessária: a Antigüidade Grega chamava o diferente de “bárbaro”, no Renascimento os povos “descobertos” pelos navegantes são “selvagens”, o século XIX os chama de “primitivos”, e hoje? “Subdesenvolvidos”?!
Diante de tudo isso, é preciso pensar não só sobre o que se vê, mas também sobre o que passa despercebido nas relações do dia a dia. Atenção e análise!

Até o próximo!
Letícia Aparecida Oliveira

Referência: LAPLANTINE, François. Aprendendo antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2000.

imageÍndios tupinambás, gravura do século XVI.

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Sobre umapsicologa

Graduada em Psicologia (2011), é especialista em Psicopedagogia (2013). Trabalhou como educadora infantil e cursou varias disciplinas de licenciatura em Artes Visuais. Atualmente, trabalha como Psicóloga Social e estuda Psicanálise.
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