Como Construir Uma Proposta de Oficina

19/05/10

Como Construir Uma Proposta de Oficina

            O texto faz referência às oficinas em dinâmica de grupo na área de saúde, mostrando como essas oficinas devem ser preparadas. Mas acredito que a leitura desse texto pode ajudar no trabalho em qualquer área que trabalhe com grupos.

            Já de inicio, a autora faz uma consideração que pode ajudar os profissionais:

         “Uma condição essencial é a de que os coordenadores de Oficina, ou a equipe, trabalhem em conjunto devem manter conversas preliminares visado explicitar e articular bem as contribuições de cada profissional para a Oficina bem como a visão conjunta do que é, para que serve e que tipo de condição de grupo terá. Ao longo da condução da oficina, é importante que a equipe, ou dupla de coordenadores, tenha sempre um horário de reflexão e articulação do trabalho, para que possam tratar de acertos no processo, encontrando soluções e fazendo acordos. Isso será feito em horário deferente do horário do encontro com o grupo, que não deve ser exposto aos conflitos da coordenação.” (Afonso, 2006, p. 133)

1.     Tema e analise do trabalho

Um trabalho precisa ser aceito pelo grupo. Se for imposto, certamente não dará bons resultados. Devemos nos perguntar “pra que é” e “para quem é” essa proposta, assim identificaremos a demanda. Outra dica é identificar problemas/necessidades no grupo a ser trabalhado, isso ajudará na escolha do tema da oficina.

            Para atender a demanda, o trabalho precisará ser algo necessário, viável/eficaz e desejável. A autora diz que “analisar uma demanda é interpretar uma necessidade dentro de uma situação e responder a ela com uma proposta de ação”. Pra isso, faz-se necessário que o profissional saiba escutar, e avaliar o que ouve com base em conceitos sócio-culturais. É preciso que os coordenadores se atentem as necessitas coletivas e individuais do grupo trabalhado. Tratando o grupo como um todo, mas sem esquecer que ele é formado por indivíduos únicos em sua subjetividade.

E, depois de analisar o grupo, é necessário saber se haverá condições institucionais para realizar a oficina. Assim, saber-se-á se o trabalho é necessário, desejável e viável.

2.     A pré-analise e as escolhas de “foco” e “temas geradores”

A pré analise inclui um levantamento de aspectos importantes a serem trabalhados na Oficina. Ou seja, depois de se identificar uma necessidade, é preciso saber mais sobre ela.

A pré-analise possibilita a escolha de um tema central: “o foco” e a partir desse, podem ser definidos os “temas geradores”, que são sub-temas, responsáveis por mobiliar o grupo para o trabalho em questão. Lembrando que esses devem atender ao grupo, portanto, consultar as pessoas que serão beneficiadas com essa oficina, ajuda em sua aceitação.

Algumas considerações sobre os temas geradores se fazem necessárias:


(i)   Devem ter uma linguagem acolhedora, por exemplo, ao invés de nomear um tema gerador de “restrições alimentares”, pode-se optar por “orientações para alimentação”. Assim, falar daquilo que é bom, pode trazer maior aceitação e permitir mais equilíbrio.


(ii)           Abordamos em primeiro lugar temas que sejam mais gerais e que despertem menos ansiedade.


(iii)           A aprendizagem nas oficinas se enriquece com a comparação entre os temas.


(iv)           Quando o coordenador perceber que a conversar do grupo está “fugindo” do tema originalmente proposto, em vez de
cortar o assunto deve escutar um pouco e depois fazer – a si mesmo e ao grupo – a seguinte pergunta: “de que forma esse assunto está relacionado ao tema proposto?”


(v)           É essencial que os temas geradores tenham relação com o cotidiano do grupo.


(vi)           Sempre devemos conversar com o grupo para propor os “temas-geradores” e ouvir aquilo que as pessoas do grupo gostariam de abordar.


(vii)            Não devemos sobrecarregar o encontro com muitos temas As pessoas precisam de tempo para assimilar a informação no contexto de suas vidas e para refletir sobre ela. É mais rico trabalhar no ritmo do grupo, respeitando a sua singularidade. “O que é pouco para alguém pode ser muito para outra pessoa.”

3.     O enquadre

O enquadre é a estrutura do trabalho. Ou seja, número de encontros, local, recursos disponível, número e tipo de participantes.

Para se elaborar esse enquadre é necessário pensar em opções que facilitem a interação dos participantes, na disponibilidade de tempo, relação com o coordenador, privacidade dos encontros, limites institucionais, entre outros.

“Em outras palavras, o enquadre é uma estrutura básica sobre a qual o coordenador possa atuar fazendo adaptações quando necessário.

4.     Um planejamento flexível

Pode-se fazer um planejamento global, onde a Oficina será planejada como um todo, detalhando previamente cada encontro, ou um planejamento passo a passo, onde os temas e técnicas serão escolhidos no decorrer de um processo.

Ambos os tipos de planejamento tem vantagens e desvantagens. O planejamento global possibilita uma visão mais inteira do trabalho. Porem pode correr o risco de ser rígido e não atender a demanda. Enquanto o planejamento passo a passo é mais flexível, porem corre o risco de deixar uma visão fragmentada.

            Coordenadores precisam aprender a fluir com o grupo, sem esquecer o foco do trabalho. Desde o primeiro encontro, o coordenador começa a rever seu planejamento, a partir da escuta cuidadosa dos interesses do grupo.

Para a seqüência e organização dos encontros, o autor do texto em questão, recomenda três momentos: primeiro, um momento inicial, de relaxamento ou aquecimento, onde os participantes terão a chance de se desligar do que estavam fazendo antes para se concentrar na atividade que será proposta. O momento intermediário se refere ao desenvolvimento da proposta, são atividades variadas visando à reflexão e elaboração do tema trabalhado. E por último, um momento de sistematização e síntese em que, o importante é deixar marcado com
palavras que possam representar para o grupo o trabalho daquele dia. Pode ser uma música, ou um poema, depende do que as possibilidades permitem.

Os recursos de técnicas de dinamização de grupo devem ser vistas como meios/instrumentos para se expandir um conhecimento, são meios de ampliar a interação do grupo. Funcionam melhor quando tem valores metafóricos. Não devem ser a única alternativa de trabalho, pois se o grupo não aceitar a técnica proposta, ou mesmo se ela falhar, os coordenadores precisaram ser criativos e buscar outros meios de trabalhar o tema do encontro. Assim deve-se considerar a técnica como um mero auxiliar, que não deve substituir a reflexão a ser imposta.

Para concluir, um último pensamento deve ser sempre lembrado. Por melhor que seja sua técnica, por mais perfeito que seja seu planejamento, sem o envolvimento do grupo, os resultados serão minimizados.

AFONSO, Maria Lucia M.OFICINAS EM DINAMICAS DE GRUPO NA AREA DA SAUDE. Disponivel em <http://books.google.com.br/books?id=6m-bKc03C-0C&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false&gt;.

Anúncios

Sobre umapsicologa

Graduada em Psicologia (2011), é especialista em Psicopedagogia (2013). Trabalhou como educadora infantil e cursou varias disciplinas de licenciatura em Artes Visuais. Atualmente, trabalha como Psicóloga Social e estuda Psicanálise.
Esse post foi publicado em DIÁRIO DE BORDO. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s