Reflexões a partir do texto: Ensino de artes visuais: entre pesquisas e práticas, de Luciana Gruppelli Loponte (2012)

Lendo o texto de Laponte um pensamento se faz recorrente em mim: o que será que ela (a autora) deve estar sentindo diante da reforma do ensino médio, proposta e “enfiada” pelo governo do Temer?

Esse querionameto me vem a todo momento durante a leitura, justamente porque a autora fala sobre a necessidade de lutarmos por mais espaço.  E eis que somos multilados por esse “projeto” de reforma.

(Abro esse parentese para esclarecer que, em minha opinião, a reforma da educação é super necessaria.)

Mas vamos a reflexão sobre o texto. Laponte trás um breve panorama sobre as mudanças da LBD (Lei de diretrizes e bases)que em 1996 preve a presença da arte em suas diferentes especificidades (artes visuais, teatro, dança e música) nos Parâmetros Curriculares Nacionais para a educação brasileira. Contudo, Laponte já aponta a falha do sistema, chamada por ela de “retorno da polivalência”, que já era rechaçada desde quando ainda estava em vigor a última LDB (5692/71), e descrito como “o que se traduz atualmente em editais confusos de concursos públicos para professores de artes que precisam atuar igualmente em artes visuais, música, teatro ou dança”. O que não condiz com o que nos é oferecido na licenciatura.

Outro ponto curioso abordado pela autora refere-se aos “argumentos em defesa do ensino de arte”, onte dela cita Tourinho (2002, p.31):

1. aprendizagem da Arte para o desenvolvimento moral, da sensibilidade e da criatividade do indivíduo;

2. ensino de arte como forma de recreação, de lazer e de divertimento;

3. Arte-educação como artifício para a ornamentação da escola e como veículo para a animação de celebrações cívicas ou familiares naquele ambiente;

4. Arte como apoio da aprendizagem e memorização de conteúdos de outras disciplinas, e, finalmente;

5. Arte como benefício ou compensação oferecida para acalmar, resignar e descansar os alunos das disciplinas consideradas ‘sérias’, importantes e difíceis.

Aqui, cabe a nós uma avaliação que justifica a necessidade de aumentarmos, em nível e frequências, nossas reflexões. Será que estamos preparados para defender o ensino da arte?  Qual a consistência dos nossos argumentos? E quanto a nossa motivação para lutar?

Aguardando respostas mais questionamentos…

Desenho de Vinicius Guimarães (https://m.facebook.com/vini.guimaraes.37)

 

Uma reflexão sobre antropologia e as relações entre os diferentes povos.

O texto de Laplantine (2000, p.37) faz referência ao que seriam os primórdios da antropologia, no contexto das narrativas sobre as navegações que geraram a “descoberta” do Novo Mundo ( séculos XV e XVI), cita a chamada “literatura de viagem” e os relatos dos missionários, além de fazer considerações sobre as relações entre os diferentes povos.
Nesse momento de extrema alteridade, onde estranhos se olharam sem se identificar, teria surgido uma dúvida: “será que são humanos?”
Para sanar essa dúvida os nativos, supostamente, amarravam pedras nos corpos dos navegantes recém chegados em baixo das água, afim de verificar se os corpos desses estranhos iriam apodrecer. Assim, a verificação passava pela via do corpo, enquanto que os espanhóis utilizavam outros critérios (LAPLANTINE, 2000, p.40 apud Lévi-Strauss  1961).
A religiosidade influenciou nos critérios adotados pelos europeus. Era preciso saber se aqueles povos tinham alma. Além disso, a linguagem, vestimentas e hábitos alimentares também foram observados. Mas, aquele parecia, na visão de alguns, um povo “sem roupa, sem rei, sem lei, sem arte…”.
Duas ideologias eram concorrentes. Haviam aqueles que demostravam fascinação por esses estranhos, Sepúlveda, e outros que repudiavam as diferenças, Las Casas. (LAPLANTINE, 2000, p.40).
Pensando sobre essas ideologias, faz-se necessário observar o que permanece ainda hoje. Como o diferente é tratado? Com fascínio ou recusa? Vemos exemplos diretos sobre este tipo de relação no cinema, como no filme ” O Regresso” ( o qual será analisado em uma outra postagem), mas existem exemplos mais sutis, nas relações do dia a dia, quando o diferente é tratado com repúdio ou como atração, com risos e piadas.
Uma cronologia comparativa se faz necessária: a Antigüidade Grega chamava o diferente de “bárbaro”, no Renascimento os povos “descobertos” pelos navegantes são “selvagens”, o século XIX os chama de “primitivos”, e hoje? “Subdesenvolvidos”?!
Diante de tudo isso, é preciso pensar não só sobre o que se vê, mas também sobre o que passa despercebido nas relações do dia a dia. Atenção e análise!

Até o próximo!
Letícia Aparecida Oliveira

Referência: LAPLANTINE, François. Aprendendo antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2000.

imageÍndios tupinambás, gravura do século XVI.

A Luta Antimanicomial e o Concurso Fotográfico

O “18 de maio visto por diferentes ângulos” é o quinto concurso de fotografia realizado pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) para mostrar os diferentes olhares diante das atividades desenvolvidas no estado de Minas Gerais referente ao dia “18 de maio – Dia Nacional da Luta Antimanicomial”. (crpmg.org.br)

Além de divulgar o dia da Luta Antimanicomial, o Concurso Fotográfico estimula as pessoas a participarem das diversas atividades que acontecem na semana do dia 18 de Maio. Pra participar do concurso, o fotógrafo precisa apenas usar a sensibilidade e mostrar seu ponto de vista.

O regulamento diz que as fotos deverão ser tiradas durante os eventos que acontecem em Minas Gerais na ocasião da comemoração do dia da Luta Antimanicomial. Muitas cidades tem eventos agendados para a semana do dia 18 de maio. A programação pode ser conferida no site http://www.crpmg.org.br/GeraConteudo.asp?materiaID=1889. Mais informações sobre o concurso e o edital podem ser acessadas em http://www.crpmg.org.br/GeraConteudo.asp?materiaID=4477.

Câmeras na mão e vejo vocês lá!

Letícia Aparecida Oliveira (Psicóloga/Psicopedagoga)

As atividades em Uberlândia acontecem do dia 18 ao dia 20 de maio:

Semana da Luta Antimanicomial: “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios”
Dia: 18 de maio
CAPS Leste: 13h30 – Abertura oficial da Semana da Luta Antimanicomial
Visita à Escola Agrotécnica (Auditório Cícero Diniz – Prefeitura Municipal de Uberlândia)
14h00 – Apresentações Culturais (Clínica Jesus de Nazaré e Grupo Loucos pela Dança)
14h20 – Palestra: “Diretrizes Aprovadas pela IV Conferência Nacional de Saúde Mental Intersetorial e a Situação do Município de Uberlândia”.
15h10 – Apresentações Culturais (CAPS ad PMU, CAPS Leste e UFU)
15h30 – Mesa redonda: “É Preciso Saber Viver – Autonomia e protagonismo dos usuários de saúde mental” (Grupo de usuários da rede de atenção à saúde mental do município)
Dia: 19 de maio
08h30 – “Unidos pela Liberdade” – Manhã Festiva no Parque do Sabiá com brincadeiras, jogos, dança e ações de orientação em saúde.
Tarde – Documentário “Noivas do Cordeiro” (exibição e discussão) – CAPS ad Tibery
19h30 – Exibição e Discussão do documentário “ESTAMIRA” – CAPS AD Luizote
Dia: 20 de maio
Manhã – Capacitação dos profissionais da unidade sobre o funcionamento do serviço de saúde mental – UBS Nossa Senhora das Graças
Dia da Família: Discussão sobre o tema “Luta Antimanicomial” – CAPS Leste
Tarde – Caminhada pelo bairro e divulgação do trabalho do CAPS (folder confeccionado pelos pacientes) – CAPS ad Tibery
Tarde Festiva – CAPS Oeste e Centro de Convivência
16h00 – Jogo amistoso no Campo “A” do Parque do Sabiá – Centro de Convivência X Programa 2º Tempo. Parceria: ADUSMU, Centro de Convivência e Futel

“4º Encontro Mineiro de Psicologia Escolar e Educacional – Formação e atuação do Psicólogo Escolar nas Gerais”

Na espectariva para a oficina: “Arte na formação do professor e do psicólogo: estratégias e possibilidades.”

ABRAPEE

Caros Associados (as),

Não percam “4º Encontro Mineiro de Psicologia Escolar e Educacional – Formação e atuação do Psicólogo Escolar nas Gerais”, a realizar-se nos dias 30/10/2014 a 01/11/2014, na Universidade Federal de Uberlândia – Campus Umuarama.

As inscrições poderão ser feitas pelo site: http://eventos.fau.ufu.br:8080/participante/index.xhtml?idevento=70

Maiores informações no e-mail empee4@hotmail.com

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Portfólio

O primeiro trabalho de PIPE IV proposto nesse semestre foi a montagem de um portfólio para mostrar um pouco dos trabalhos que venho realizando.

Gostei muito do resultado.

O portfólio é uma possibilidade de olhar para mim mesma. Uma oportunidade de melhorar meu auto conhecimento e quem sabe definir minha poética.

Para quem quiser conferir, aí vai o link: http://leticiaaoliveira.carbonmade.com

Letícia Aparecida Oliveira 
 

Sem título

Analise do filme: “Entre os muros da escola”

(Um filme de Laurent Cantet)

O filme “entre os muros da escola” mostra situações cotidianas a professores e alunos no decorrer de um ano letivo.

Algumas cenas se destacam. Em uma dessas, o professor de Frances pede aos alunos que leiam um trecho de um livro, onde a personagem Anne, fala sobre sua vida. Após a leitura, o professor diz aos alunos que escrevam um autorretrato, assim como o de Anne. Mas a turma indaga não ser possível escrever de forma tão apaixonada, já que suas vidas se resumem a ir para a escola, pra casa, comer e dormir. Dizem ainda, que se tivessem 70 anos, teriam muitas experiências para contar, mas, com 13 anos ainda não.

Nesse momento, o professor, um dos poucos com bom domínio de sala, leva os alunos a refletir sobre o dia-a-dia de cada um. Usando um dialogo quase socrático, busca mostrar aos alunos as emoções contidas em suas experiências cotidianas, seja pela vergonha de aceitar o convite para jantar da mãe de um amigo, seja pela vergonha da própria aparência, que leva uma das alunas a esconder as orelhas sob o cabelo.

Em outra cena, uma reunião de professores com o diretor, discute-se um sistema de penalização por pontos, onde os alunos teriam uma quantidade inicial de pontos e os perderiam na medida em que infringissem regras da escola. Alguém sugere que esse sistema não valoriza os alunos e que aqueles que merecessem deveriam ganhar pontos. Em meio as discussões as opiniões são diversas e, por vezes, opostas.  Os professores não conseguem chegar a um acordo e, para não estender a discussão (que não foi resolvida), o diretor diz o seguinte: “Poderíamos ficar aqui até meia-noite, mas isso não é possível. Temos outros temas para abordar. Nomeadamente, uma questão essencial, e muito delicada: a máquina de café…”.

Quando se pensa em uma reunião de professores, e em assuntos “essenciais e muito delicados”, espera-se que sejam relacionados aos alunos e ao sistema educacional. Mas, não. O assunto era “a máquina de café”. Parece absurdo, cena de filme, mas é realmente isso que acontece em muitas reuniões de “professores de verdade”.

Apesar de ser Francês e parecer bastante distante, a verdade é que esse filme ilustra muito bem a realidade das nossas salas de aula. Talvez por mostrar a adolescência, que é um fenômeno global, mas, de qualquer forma, essa identificação possibilita uma reflexão sobre o que acontece entre os muros de nossas escolas.

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